terça-feira, 6 de agosto de 2013

PUTARIA E TERCEIRA DIMENSÃO: A SAGA DO CINE VITÓRIA EM 1985

Em 1985, o tradicional Vitória, na Cinelândia carioca, era, segundo a Embrafilme, o cinema de maior frequência do Brasil. 

619.672 espectadores passaram pela enorme sala (1267 lugares) da Rua Senador Dantas em busca de prazer: durante a maior parte daquele ano, a programação "vitoriana" foi preenchida com filmes de sexo explícito como BANHO DE LÍNGUA (Brasil, 1985), de Tony Vieira.

A média chegava a incríveis 13 mil espectadores por semana.

No entanto, no finzinho de 1985, o Vitória tentou fugir da alcunha de "cinema pornô".

Numa mudança radical de filosofia, Severiano Ribeiro, arrendatário do cinema, decidiu investir na onda dos filmes em terceira dimensão. 

Assim, em outubro de 1985, o Vitória voltava a ter uma programação "convencional" com a estreia de TUBARÃO 3 (Jaws 3-D, EUA, 1983), de Joe Alves.

O TUBARÃO 3 ataca no Vitória

(E, sim, a data de estreia no Brasil que consta no IMDB - dezembro de 1983 - está errada. Estreou somente em 1985, com  bastante atraso).

A galera dando um relax no Cine Vitória durante sessão de TUBARÃO 3, em 1985. Coleção Fábio Vellozo

Ficou duas semanas em cartaz.

Deu lugar a SEXTA-FEIRA 13 - 3a PARTE (Friday the 13th Part 3, EUA, 1982), de Steve Miner, também em terceira dimensão.

A"verdadeira 3-D": Jason ataca no Vitória! Coleção Fábio Vellozo

Ficou uma semana em cartaz.

Em 25 de novembro, o Vitória voltava a sua programação normal com a estreia de AS MULHERES QUE F... EM TERCEIRA DIMENSÃO (Supergirls for love, Alemanha, 1983), do especialista Walter Molitor (assinando como "Amato Bozelli").

A galera de olho nas MULHERES QUE F... EM TERCEIRA DIMENSÃO. Ao lado, FUROR UTERINO - PARTE 2 (Flesh and laces: Part II, EUA, 1983), de Carlos Tobalina, com o 'grande' John Holmes e Jamie Gillis. Coleção Fábio Vellozo

No elenco, a musa 'hard' Olinka Hardiman.

Cartaz iugoslavo de AS MULHERES QUE F... EM TERCEIRA DIMENSÃO (1983), de Walter Molitor

Entrevistado pelo Jornal do Brasil, o auxiliar de escritório C. R. Peixoto, 24 anos, definiu a situação: "Se continuasse careta assim, o cinema ia fechar. Está muito devagar. A tradição do Vitória é ser um ponto de encontro, um lugar para se conhecer pessoas novas, paquerar. E esses filmes em 3-D, que tem uma projeção que o obriga a usar óculos horríveis, estavam espantando o público gay".

Depois de quase 15 anos fechado, o Vitória reabriu em dezembro de 2012, como Livraria Cultura.

Cine Vitória, 2013


Um comentário:

  1. "A tradição do Vitória é ser um ponto de encontro, um lugar para se conhecer pessoas novas, paquerar."
    Tradução: Fellatio com desconhecidos

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