quarta-feira, 18 de junho de 2014

POEIRA DIVULGA [1]: REGINA E O DRAGÃO DE OURO (1973)

O objetivo do POEIRA DIVULGA é disponibilizar parte da minha coleção de cartazes, lobby cards e, eventualmente, stills de filmes brasileiros e estrangeiros digitalizados em alta resolução (600k). Não há marcas d'água nos arquivos, portanto, usem à vontade. A ideia é divulgar os materiais e os próprios longas - alguns infelizmente perdidos e/ou esquecidos -, além, é claro, relembrar os técnicos e atores que os realizaram. 

Na primeira edição, CINE POEIRA traz o material de divulgação do infantil REGINA E O DRAGÃO DE OURO (Brasil/Japão, 1973), de Líbero Miguel Giachetta (1932-1989). Ator, roteirista e diretor de longas como IPANEMA TODA NUA (1971) e OS INSACIADOS (1981), Líbero dedicou a maior parte de sua carreira à dublagem, trabalhando em estúdios como Gravasom, AIC e Álamo, onde foi coordenador e responsável por vozes de personagens como o vilão 'Satan Goss', da série televisiva japonesa JASPION. Regina, o papel central, é interpretado pela menina Cecília Lemes, que já havia atuado em A MARCA DA FERRADURA (1971), de Nelson Teixeira Mendes, veículo para a dupla sertaneja Tonico e Tinoco. Tal como seu diretor, Cecília se tornou dubladora de sucesso: um de seus personagens mais famosos é a 'Chiquinha', do seriado mexicano CHAVES.

A produção é de Augusto Yamazato e do Instituto Cultural Tokuchika Miki (SP/Brasil), batizado em homenagem ao fundador da religião 'Perfect Liberty'. REGINA E O DRAGÃO DE OURO foi o último filme fotografado pelo veterano Konstantin Tkaczenko (1925-1973). Nascido na Ucrânia, lutou no exército soviético durante a Segunda Guerra Mundial e foi um dos muitos técnicos estrangeiros que emigraram para o Brasil no final da década de 1940. Ganhou o prêmio Saci em 1955 por seu trabalho em ARMAS DA VINGANÇA, de Alberto Severi e Carlos Coimbra.

A distribuição ficou a cargo da Cinedistri, de Oswaldo Massaini. Infelizmente, o filme não obteve o retorno esperado nas bilheterias. Hoje, tal como dezenas de produções brasileiras dos anos 1970, é extremamente difícil de ser visto. Circulava na internet um trecho de alguns minutos tirado de uma fita VHS, de péssima qualidade.

Sinopse [tirada do Guia de Filmes]: "Regina é uma garota viva e inteligente, amiga de um velho emigrante japonês, que lhe entrega antes de morrer uma relíquia de sua família: uma estatueta do Dragão de Ouro que possui poderes mágicos. O japonês pede à menina que viaje para o Japão com a missão de encontrar sua neta desaparecida. Regina se propõe a cumprir o desejo do velho Tanaka. Orientada pelo espírito do Dragão e de posse de cinco fichas mágicas que possuem o poder de realizar qualquer desejo, Regina transforma três de seus desenhos em bonecos vivos: Gaio, o papagaio Carioca, Jirimum, o macaco nortista, e Lebrinha, uma brasileirinha de qualquer estado. Com seus amiguinhos viaja numa enorme cegonha de papel e chega ao Japão. Na busca da neta de Tanaka os quatro são obrigados a enfrentar mil perigos, provocados por vilões que desejam apoderar-se da estatueta do Dragão e das fichas mágicas. Finalmente, graças aos sentimentos de bravura, amizade e solidariedade, Regina consegue cumprir sua missão, voltando ao Brasil em companhia da netinha de seu velho amigo japonês."


Cartaz, by Benício. Acervo Fábio Vellozo

Release da estreia carioca. Acervo Fábio Vellozo

Stills:












terça-feira, 29 de abril de 2014

LESBOS, A ILHA DO PECADO (Grécia/Itália, 1970)

Lésbicas gregas e italianas chegavam ao Rio em maio de 1972. Acervo Fábio Vellozo

LESBOS, A ILHA DO PECADO (1970) estreava em terras cariocas em maio de 1972, distribuído pela finada Pelmex (Películas Mexicanas), num circuito B que incluía os poeiras Plaza (Centro) e Mascote (Méier), o gigantesco Olinda (Tijuca), os Cines Santa Rosa da Baixada Fluminense (Duque de Caxias e Nova Iguaçú), além do finado Ricamar, em Copacabana (atual Sala Baden Powell).

Mas não é um filme mexicano.
 
Na verdade, trata-se de uma coprodução ítalo-grega dirigida por um grego altamente prolífico, Erricos Andreou, cujo título original é EROTAS DIHOS SYNORA.

O elenco é composto por atores gregos (Kostas Prekas) e italianos (Carla Romanelli e "Steven Tedd", pseudônimo de Giuseppe Cardillo).

Para o lançamento italiano, o produtor Giuseppe Maggi mudou o título para LESBO e o filme ganhou "novo" diretor, o veterano Edoardo Mulargia (um expediente bastante comum nas coproduções italianas da época), além de uma nova trilha sonora (dos craques Alessandro Alessandroni e Francesco De Masi).




A julgar pelo título brasileiro, a versão exibida em Pindorama foi a italiana, com Mulargia creditado como diretor.

Uma cópia em VHS da versão grega, em péssima qualidade, circulava entre colecionadores. A minha fita, infelizmente, foi destruída pelo mofo. Desconheço algum lançamento em DVD.

O demolido Cine Teatro São José, na Praça Tiradentes (RJ), inaugurado em 1936. À direita, o cartaz de LESBOS, A ILHA DO PECADO. Acervo Agência O Globo

sábado, 26 de abril de 2014

BANANA DA TERRA!

(Texto originalmente publicado no catálogo da Mostra Curta Circuito 2014: http://www.curtacircuito.com.br/programacao/belo-horizonte/)

Imperial e as lebres Rose Di Primo e Kate Lyra no traço inconfundível de Benício

Natal de 1971: Stanley Kubrick assombrava o mundo com o explosivo Laranja mecânica (A clockwork orange, Inglaterra/EUA, 1971), adaptação do livro homônimo de Anthony Burgess. Mais atual que nunca, a história de Alex e seus amigos, uma gangue de estupradores e assassinos, se passava num futuro em que a violência do Estado contra o indivíduo era mais chocante que a praticada pelos delinquentes.

Brasil, 1972: o país vivia sob uma ditadura militar e a repressão política, comandada pelo então presidente, general Emílio Garrastazu Médici, atingia seu extremo. Os direitos dos cidadãos eram cerceados pelo infame Ato Institucional n° 5 (AI-5). Quem definia o que os brasileiros podiam ver, ouvir e ler eram os técnicos da DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas), ligada à Polícia Federal. Nos cinemas, na contramão da severa censura de costumes, as pornochanchadas, comédias que misturavam ingenuidade e alguma malícia – “os dilemas do dar e do comer”, como definiu o pesquisador Nuno Cesar Abreu – caíam nas graças dos espectadores. Inspiradas nas produções italianas – especialmente as estreladas pelo astro do gênero Lando Buzzanca, como Um siciliano na Dinamarca (Il vichingo venuto dal sud, Itália, 1971), de Steno e O supermacho (Homo Eroticus, Itália/França, 1971), de Marco Vicario - e impulsionadas pelo êxito de Os paqueras (RJ, 1969), de Reginaldo Faria e Adultério à brasileira (SP, 1969) e A viúva virgem (RJ, 1972), ambos de Pedro Carlos Rovai, tiveram no Beco do Cinema, no Rio de Janeiro e, principalmente, na Boca do Lixo, em São Paulo, seus dois maiores polos produtores.

Laranja mecânica nunca foi oficialmente proibido pela DCDP. Após exibição prévia para autoridades do governo em uma das famosas “cabines” do Palácio do Planalto, a distribuidora Warner foi avisada de que o filme seria integralmente vetado caso submetido à apreciação dos censores. O longa só seria lançado nos cinemas brasileiros seis anos depois, em 1978, acompanhado de ridículas bolinhas pretas que saltitavam na tela na tentativa de cobrir paus e xoxotas. Mesmo inédito, virou hit. O nome Laranja mecânica caiu na boca do brasileiro e serviria até de apelido para o escrete holandês na Copa do Mundo de 1974.

Corte rápido.

O “rei da pilantragem” Carlos Imperial (1935-1992) era multimídia antes mesmo de o termo existir. O “Gordo”, como era carinhosamente conhecido - “com mais de 100 quilos de peso, posso ser visto a olho nu, sem o auxílio de microscópio” -, marcava presença na vida cultural carioca desde a década anterior com programas de TV, filmes, colunas de jornais e revistas, peças de teatro e shows musicais. Compunha - Vem quente que eu estou fervendo e A praça são de sua autoria -, apresentava, escrevia, produzia, dirigia, atuava e não fugia de uma boa polêmica. Depois de Um edifício chamado 200 (RJ, 1974), sua estreia na direção cinematográfica, Imperial já havia anunciado o próximo projeto da CIPAL (Carlos Imperial Produções Artísticas Ltda.), a pornochanchada Como abater uma lebre - termo empregado por Carlos em sua coluna no jornal Última Hora (RJ) para denominar a figura feminina. Com a crescente curiosidade do povão em torno do “proibidão” de Kubrick, o Gordo, sempre oportunista, decidiu trocar o título da empreitada. A lebre virou fruta. Nascia A banana mecânica (RJ, 1974).

No roteiro, um veículo para o astro-produtor escrito a oito mãos pelo próprio, os primos Braz e Jesus Chediak e Sindoval Aguiar, Imperial é o Dr. Ferrão, um renomado psicanalista especializado em lebres que resolve os problemas de suas pacientes na cama.  Não poupa sequer a tia de sua noivinha, a virginal Cristina (a musa Rose Di Primo), a única que, para seu desespero, resiste ao charme do Gordo (que, aos 39 anos de idade, era um misto de Orson Welles e Buda). Para abater a lebre antes do casamento, Ferrão bola uma técnica revolucionária: a “sex surprise”. O máximo que consegue, no entanto, deixaria o lamentável pastor Marcos Feliciano com inveja: a “cura” de seu paciente gay, Paulo Frederico (Miguel Carrano).

Insatisfeito com o resultado de Um edifício chamado 200, que traía suas origens teatrais –baseava-se na peça homônima de Paulo Pontes –, Imperial espertamente botou a Banana na mão do cineasta mineiro Braz Chediak. Vindo do sucesso de Os mansos (RJ, 1973), no qual dirigiu o imortal Paulo Coelho no episódio O homem de quatro chifres, Chediak deu ritmo e leveza ao filme, e certamente ensinou um pouco de sua mise-en-scène ao Gordo, o que é facilmente verificável em produções posteriores como O sexomaníaco (RJ, 1976) e Delícias do sexo (RJ, 1980). A fotografia em cores quentes do veterano Hélio Silva – de Rio, 40 graus (RJ, 1955) e Rio, zona norte (RJ, 1957), ambos de Nelson Pereira dos Santos – é parte fundamental do apelo de Banana mecânica. Silva sabia extrair o máximo com o mínimo de recursos, e deu ao longa um apuro visual surpreendente para o (baixo) orçamento injetado por Imperial.

Cartaz do relançamento de O SEXO DAS BONECAS, o filme da cenoura, dirigido por Imperial. Acervo Fábio Vellozo

Mário Gomes em O SEXO DAS BONECAS. Lobby card. Acervo Fábio Vellozo

No elenco de apoio, caras conhecidas da TV e da pornochanchada carioca como Felipe Carone (Cornélio), Mário Petraglia (Carlitos) e Ary Fontoura (o detetive que tem fetiche por sutiãs), além de um time de lebres para ninguém botar defeito e de participações especiais impagáveis de Henriqueta Brieba e Pedrinho Aguinaga, “o homem mais bonito do Brasil”.

Como a maioria das pornochanchadas – que de pornográficas não tinham nada -, A banana mecânica foi amassada pelos críticos, que rechaçavam fortemente o “produto não politizado”. Era a época das “patrulhas ideológicas”, termo cunhado pela crítica Pola Vartuck, mas atribuído ao cineasta Cacá Diegues. O público, no entanto, gostou da fruta. Lançado no Rio de Janeiro em outubro de 1974 em oito salas, o filme faria, em números oficiais, 1.157.590 espectadores. Apesar de mostrar apenas meia dúzia de peitinhos, a DCDP não quis saber de conversa e exigiu a proibição para menores de 18 anos de idade.

É difícil imaginar quantos foram aos cinemas atraídos apenas pelo título matador, que nada tem a ver com o filme – afinal, a paródia com o “original” inglês nasce e morre na mudança das frutas e nos créditos de abertura, com a banana desenhada pelo cartunista Mixel Gantus. Mas, certamente, ninguém se sentiu enganado: A banana mecânica é perfeito enquanto síntese das intenções do Gordo e da eternamente “maldita” pornochanchada. Quem pagou o ingresso, sabia que estava entrando no terreno do deboche, da irreverência e da malícia. Sorrisos ao fim da sessão?  Esses são fáceis de imaginar.

sábado, 29 de março de 2014

POEIRA CENSURA [8]: SAMSON, A FORÇA CONTRA O ÓDIO (Polônia, 1961)

Frente do certificado de censura de SAMSON, A FORÇA CONTRA O ÓDIO (repare no duplo erro do título). Acervo Fábio Vellozo

Acima, o certificado de censura de SAMSON, A FORÇA CONTRA O ÓDIO (Samson, Polônia, 1961), obra prima de Andrzej Wajda que ganhou um "impróprio para menores de 18 anos" quando de seu lançamento no Brasil. Na época, o chefe do SCDP (Serviço de Censura de Diversões Públicas) - que assina o documento - ainda era o assassino foragido Romero Lago (leia mais sobre o caso na postagem anterior do Poeira, Mouchette e o Caso Romero Lago).

Como era de praxe, os técnicos de censura conseguiram errar duplamente o título do filme: Samson (o nome do personagem central) virou Sanson, e a força tornou-se "vingança" contra o ódio.
 
A tardia pré-estreia nacional foi na inauguração do finado cinema da Universidade Federal Fluminense (Niterói/RJ), o Cine Arte UFF, em 12 de setembro de 1968, então supervisionado por Nelson Pereira dos Santos.

A estreia só ocorreria no dia 24 de março de 1969, exclusivamente no Cine Paissandu (Flamengo/RJ). Wajda, em carne e osso, veio ao Rio e pegou a sessão das 22h no templo da cinefilia carioca na quinta-feira seguinte, dia 27.

A estreia tardia de SAMSON, no Paissandu. Acervo Fábio Vellozo

A distribuição era da Cinematográfica Franco-Brasileira.

Wajda foi homenageado com o Oscar honorário em 2000. O prêmio, entregue por Jane Fonda durante a cerimônia, foi doado para a Universidade Jaguelônica da Cracóvia (Polônia). A montagem com os filmes de Wajda e seu discurso de agradecimento (em polonês) podem ser vistos nos links abaixo:


domingo, 9 de fevereiro de 2014

POEIRA CENSURA [7]: AS AVENTURAS DE GWENDOLINE NA CIDADE PERDIDA (França, 1984)

Livremente baseado nas tirinhas da personagem Sweet Gwendoline, criada pelo fotógrafo, ilustrador e bondage artist John Willie na década de 1950, AS AVENTURAS DE GWENDOLINE NA CIDADE PERDIDA (Gwendoline, França, 1984) chegava às telonas em 1984 pelas mãos do perfumeiro francês Just Jaeckin, mundialmente famoso pelo sucesso de EMMANUELLE (1974), que imortalizou a atriz Sylvia Kristel.

A Gwendoline de John Willie em "restfull poses"

Mais Sweet Gwendoline

O filme, uma versão camp de OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA (1981), contava com a norte-americana Tawny Kitaen no papel título, uma gostosa que parte para a China (rodada nas Filipinas) em busca do pai desaparecido e de uma rara borboleta negra. Em seu caminho, piratas, uma rainha perversa (interpretada pela recentemente falecida Bernadette Lafont) e, para a nossa alegria, peitinhos, muitos peitinhos.

No Rio de Janeiro, Gwendoline foi distribuída pela Cinematográfica Franco-Brasileira, no segundo semestre de 1985. O circuitão carioca incluía os cines Palácio 2 (Cinelândia), Olaria, Rio Sul (no Shopping da Gávea), além do Lido 2, na Praia do Flamengo, e Ópera 1 (Praia de Botafogo). Com exceção da sala inteiramente remodelada e dividida do Shopping da Gávea, nenhum dos outros cinemas resistiu ao tempo.

Gwendoline chegava à cidade perdida, o Rio de Janeiro, em 1985. Acervo Fábio Vellozo

Cartaz brasileiro. Acervo Fábio Vellozo (deixei a aranha morta na parte superior da minha foto, faz parte do charme)

Em busca do público adolescente, que havia feito a fortuna do longa de Spielberg, a distribuidora optou pela proibição para maiores de 14 anos, algo inédito para os filmes de Jaeckin. Para tanto, a gloriosa DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas), na época dirigida por Coriolano Fagundes, exigiu cortes, como pode ser visto no certificado de censura original:

Certificado de censura de Gwendoline: liberado com cortes. Acervo Fábio Vellozo

O estrago feito pelos meganhas da DCDP não ficou restrito a filmes polêmicos - seja pelo conteúdo "subversivo" ou sexualmente explícito. Em plena década de 1980, no período da "distensão" política,  longas "inofensivos" como GWENDOLINE foram mutilados às escondidas do público.

A versão sem cortes foi lançada em DVD duplo nos EUA, pelo selo Severin. Pouco depois de GWENDOLINE - que acabou não emplacando nas bilheterias -, Kitaen ficaria famosa como a estrela dos vídeos da banda Whitesnake, capitaneada pelo seu então marido, David Coverdale. 

Vídeo 1: Is this love? (1987), vídeo clipe do Whitesnake com Tawny Kitaen

Vídeo 2: Trailer

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

POEIRA CENSURA [6]: HIROSHIMA, MEU AMOR (França/Japão, 1959)

O SCDP (Serviço de Censura de Diversões Públicas) não deu refresco para Alain Resnais e seu HIROSHIMA, MEU AMOR (Hiroshima mon amour, França/Japão, 1959), que vinha coletando prêmios e a admiração da crítica mundial. 

Em janeiro de 1967, o marco do cinema da década de 1960 foi - novamente - proibido para menores de 18 anos pela censura federal, então capitaneada pelo assassino foragido Antônio Romero Lago (leia mais sobre o caso Lago AQUI).

Certificado de censura de HIROSHIMA, MEU AMOR. Acervo Fábio Vellozo

Certificado de censura de HIROSHIMA, MEU AMOR. Acervo Fábio Vellozo

A mesma classificação já havia sido dada ao filme quando de sua primeira exibição no Rio de Janeiro, em 28 de julho de 1960, durante a semana do cinema francês organizada pela Cinematográfica Franco-Brasileira.

Semana França Filmes no RJ, em julho de 1960. Acervo Fábio Vellozo

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

POEIRA CENSURA [5]: ORQUÍDEAS DA NOITE (França, 1983)

O quinto episódio do POEIRA CENSURA é dedicado aos que sentem saudade da censura pois "só pornografia e violência explícita eram cortadas".

ORQUÍDEAS DA NOITE (La crime, França, 1983), dirigido pelo craque Philippe Labro, é um neo noir de produção caprichada na linha de obras anteriores do cineasta como SEM MOTIVO APARENTE (1971) e A ESTRANHA HERANÇA DE BART CORDELL (1973).  Aqui, o personagem central, um detetive durão de métodos pouco ortodoxos (interpretado pelo veterano Claude Brasseur), é encarregado da investigação do assassinato de um eminente advogado. A trama ganha contornos de thriller político e a violência é moderada, especialmente quando comparada a filmes americanos do mesmo período.

Curiosamente, quando submetido à DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas) em 1985, o longa teve de sofrer cortes para que fosse liberado para maiores de 14 anos. Sem internet e com o acesso restrito à informação e/ou revistas de cinema estrangeiras, é pouco provável que o espectador que tenha conferido o filme de Labro na telona estivesse a par das mutilações impostas pelos censores federais.

Certificado de censura de ORQUÍDEAS DA NOITE. Acervo Fábio Vellozo

Como de hábito, o certificado emitido contém um erro crasso de concordância, provando que a língua portuguesa não era o forte dos senhores que decidiam o que podíamos ou não ver.

Claude Brasseur quer saber quem picotou suas ORQUÍDEAS

A estreia carioca ocorreu apenas em maio de 1987, quase dois anos após a apreciação da censura, com distribuição da Cinematográfica Franco-Brasileira num circuito encabeçado pelo lendário Cine Paissandu, no bairro do Flamengo (então Paissandu Nostalgia).

Estreia carioca de ORQUÍDEAS DA NOITE. Acervo Fábio Vellozo